Borges dizia que todos os poetas estão destinados ao esquecimento. Ou dizia, ou disse, ou diz-se que disse; alguém contou. Entre ser esquecido ou prevalecer em anedotas incidentais de famosos, venha o cão raivoso e escolha.
Borges terá dito que todos serão esquecidos, ele também, só que talvez eu vá primeiro. “Talvez” só poderia dever-se a uma proverbial humildade do argentino. Eu e qualquer personagem menor. Ele, maior, entrará um pouco depois no nevoeiro – nada que faça muita diferença na escala das civilizações, afinal.
Segundo, diz-se, Borges, o esquecimento acaba por acolher nos seus braços todos os poetas, os maiores, os menores, mais, não sei se mencionou, os que nunca escreveram qualquer poema – e não sei se, no seu infinito labirinto, contou com os poetas que se esqueceram de si próprios um dia longo há séculos.
Jorge Luis Borges teria dito que todos os poetas serão, cedo ou tarde, entregues ao esquecimento. O assunto é tão pequeno que só interessa aos poetas, familiares da transmissão oral, abrigo da memória em fórmulas e ritmos, fortaleza frágil e errante contra o medo surdo de se perder o mapa das relíquias das tribos.
A propósito: o nome Borges diz-te alguma coisa?
Condenado. Borges, dizem, dizia “condenado”. Condenado ao esquecimento.






