31 de maio de 2010

Soneto das quatro mãos

Bela, doce, despida, queda e muda:
quem triste ousou dar-te inventor
há-de ora desencantar feito por mor
do qual, sem tardança, tal erro muda.

Desistente, mulher, é quem não ajuda
ao projecto de sair do mar morto:
com quem largaria a nau qualquer porto
não fora contigo? Ninguém se iluda!

Com quatro mãos ao leme, damos guerra
de novo declarada, justa lei
cresce, gozo novo a noite encerra:

eriçam minhas palavras os teus seios
e nesses dias o mar abre-se, dá a terra
prometida sinais, eu ouço, leio-os.

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