Há trinta e três cidades subterrâneas
no meu escritório
de casa.
Não resulta tão certo número de cidades subterrâneas
da idade exacta de qualquer deus
na terra.
Nem uma dessas cidades subterrâneas é um dos livros presentes,
nem uma caneta, uma máscara das que me vigiam, um caderno,
nem um dos inúmeros despojos que me guardam nas estantes.
Cada uma dessas cidades subterrâneas é uma conversa parada,
uma flor suspensa antes da maturidade,
um nome proibido, uma ligação desvitalizada,
um pensamento de coisas incompletas,
uma dedicatória que falta num poema.
O número certo das cidades subterrâneas onde se entra
sentado na minha cadeira de trabalho
é o número dos meus pecados.
Dos que inscrevo no rol dos meus milagres.
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