19 de Janeiro de 2010

[eu vejo o paraíso terrestre]

Eu vejo o paraíso terrestre
Vejo a máquina de colar as asas nos anjos
Os papéis todos dos processos como se fazem os santos
Sei da História toda para cima da metade
E nela conto com o triunfo dos meus
(sabe que é assim que escolho os meus).
Eu vejo o paraíso terrestre
Eu vejo tudo de olhos fechados:
Só não vejo os caminhos.
Só não vejo o teu passado,
A tua enxada e os teus filhos,
a enxada que queres caiba aos teus filhos,
Em vez de como futuro lhes quereres
A ilha perfeita num mar distante.
Só não compreendo o elo
Entre a enxada, coisa tua,
E o futuro, coisa dos teus filhos.
Não compreendo os elos
Por ser o caso que eu vejo o paraíso terrestre.
Eu de olhos fechados vejo tudo.
E, tudo, mata.

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